http://www.escolademissoes.org.br/
Translate
segunda-feira, 2 de abril de 2018
Pastorais: PROCESSO DO PERDÃO
PROCESSO DO PERDÃO
Entendendo o processo do perdão: como ele acontece e quais são os passos psicológicos, comportamentais e espirituais que eu e você temos que dar nesse caminho do 70x7.
1º Passo: Jesus inicia dizendo que o 1º passo que eu preciso dar quando penso em perdoar a alguém é o da cautela. Ele diz: acautelai-vos (Lc. 17:3).
Cautela para não ser injusto, para não ser duro, para não ser motivo de tropeço (Lc.17:1,2). Pois às vezes, no desejo de consertar relações, nós esbagaçamos as pessoas com a nossa falta de cautela, com a nossa falta de senso de justiça e de equilíbrio.
Julgamos conforme o nosso ouvido escutou, segundo a aparência, sem auscultar o coração da pessoa, sem saber como as coisas de fato são. Julgamos sem critério de justiça e verdade (I Co 4:5).
Por isso quando você partir para o caminho da reconciliação, cautela. Cautela para ouvir mais e falar menos, cautela para realmente desenvolver um senso de justiça, caso contrário ao invés de consertar a relação você virá a esbagaçar, estraçalhar o coração de seu irmão prá sempre, ou fazê-lo vacilar, tropeçar. (Lc. 17:1,2).
2º Passo: Deve haver confrontação. Se o teu irmão pecar contra ti (...), que aconselha Jesus? Repreende-o (Lc. 17:3). Jesus nega aqui três idéias mentirosas que correm em nosso meio.
A primeira é a de que o silêncio é a voz do perdão. É mentira, no entanto, é exatamente isso que a gente aprende: que o silêncio é a voz do perdão! Asseveramos: Não disse nada porque está resolvido, está perdoado.
É mentira! O silêncio não é a voz do perdão, o silêncio é da raiz da amargura. O silêncio é a voz maligna da acusação profunda, é muitas vezes a voz sem som de um coração cheio de autopiedade.
Outra idéia falsa que Jesus desmistifica e destrói é a de que o tempo é um santo remédio para curar as relações. Quantas pessoas estão ruminando um atrito dez, quinze anos? Nas vidas de quantas pessoas a ruptura começou apenas com uma ferida, hoje transformada em carne viva? O tempo não é um santo remédio. Talvez o tempo aja com respeito às rejeições interpessoais não curadas tanto quanto um câncer não tratado age no corpo humano. Ao invés de o debelar, produz metástase em todos os órgãos.
Jesus também acaba com a idéia de que sentir-se ofendido é perder a razão. Isto porque ele admite que o irmão pecou contra você e que você sentiu ofendido com o que o irmão falou. Ele não nega a humanidade de ninguém, não furta o amor-próprio de ninguém, não arranca a dignidade inerente a ninguém, não transforma ninguém num amorfo, um indivíduo sem sentimentos, num bambu. Jesus não é budista, Ele é o Cristo, o Senhor do Cristianismo. O Budismo é que diz que você se torna maior na medida em deixa de ser pessoa, na medida em que mata a sua personalidade. Dizem os budistas que você é feliz não pelo acréscimo de felicidade, mas pela ausência de dor. Jesus não ensina isso. Ele diz que você pode admitir o fato da ofensa, também a realidade de que aquilo que fizeram a você doeu, que você ficou magoado, que você se sentiu mal. Em Cristo você pode dizer ao seu irmão: O que você fez contra mim me humilhou. Ele não nega este fato da sua humanidade. Ele foi um homem traído, não foi um traído glacial. Disse ao seu traidor: Judas, se tens que fazer, faze-o logo porque para mim está sendo difícil conviver com essa morosidade da traição. Diz também: Vem, Judas, beija-me. Após isso Ele afirma: Com um beijo tu trais o Filho do Homem. Ele é gente, é Deus feito gente. Desse modo acabamos com essa idéia de que se sentir ofendido é perder a razão. Perder a razão é não se sentir ofendido mas achar que os fins justificam os meios e agir com os meios carnais.
Mas atenção! este confronto, deve ser cauteloso, manso, educado e sincero. Jesus instrui o confronto, mas esse repreende- o não inclui a falsa dialética de que os fins justificam os meios. Repreende-o com brandura, é o que o Novo Testamento manda, é o que o livro de Provérbios ensina. Em Romanos 12 há exortações à repreensão branda (Rm. 12:19 a 21). II Timóteo 2:25 aconselha que o pastor repreenda a ovelha com brandura. Repreensão pode ser branda, mas deve ser confrontação.
Em Colossenses, 1:28 usa-se a palavra grega nautetesis para a palavra advertindo, que significa ficar cara a cara. Paulo diz: Eu fico cara a cara com cada homem, confrontando cada homem, tentando levar cada homem a se tornar perfeito em Cristo Jesus.
Então não fujas do face a face, do rosto no rosto, não se furte a fazer como Eliseu fez com o menino (II Reis 4:34). Nessa ressurreição do irmão morto tem que haver esse cara a cara, esse corpo a corpo. Não fujas disso.
Muitas vezes a gente adia sine die esse enfrentamento do amor. Mas quanto antes ele puder acontecer em brandura, em amor e mansidão, tanto mais cedo virá a cura.
3º passo: Deve haver arrependimento (Lc. 17:3).
Jesus diz que se o irmão se arrepender, ótimo. Deve haver uma mudança de mente. Não é apenas um vamos conversar, quando cada um diz ao outro um punhado de malquerenças.
Depois saímos ousadamente dizendo aos outros: Nós somos transparentes. Conosco a coisa é resolvida assim. Ele me diz desaforo eu digo também, e acabou. Não é assim, mas ao contrário: o seu irmão deve se arrepender, ou você deve se arrepender, ou os dois devem se arrepender. Arrependimento tem que ser o grand finale dessa tentativa de fazer a orquestra tocar essa harmonia (Mt. 18:19). Tem que haver mudança de mente e de atitude, e na medida do possível de forma verbalizada, com palavras, com a língua que feriu, que magoou e que destruiu. Deve ser a mesma língua que feriu a que passa o bálsamo de Gileade na ferida do irmão.
Só que há alguns que têm uma dificuldade tumular para abrirem a boca. São psicologicamente uns sarcófagos faraônicos. Gente fechada e que desde criança em casa aprendeu a receber o perdão do pai apenas com uma passada de mão na cabeça. Tem pai que quando perdoa faz assim, passa a mão na cabeça. Há pessoas que aprenderam a se reconciliar com o irmão dizendo sucintamente: Você quer jogar o meu jogo agora? Mas há outros que aprenderam com o pai a fazer diferente. O pai ensinou com gestos e palavras o seguinte: Filho, eu bati em você injustamente. Perdão, filho. Ou então: Olhe, a gente se desentendeu, mas vamos nos entender agora?. Ajoelham-se juntos e ele diz: Pai, perdão.
Mas infelizmente nem todas as famílias são assim. Algumas criam as pessoas como um parque aberto, outras as criam como um sarcófago fechado. Mas eu não devo estuprar o meu irmão. Se o meu irmão pode verbalizar isso em termos de um perdão com palavras, ótimo. Mas eu devo ser suficientemente sensível para ler as atitudes do meu irmão, para ler os olhos, a face ou a mão, sem ser cigano. É fácil ler a mão sem ser
cigano. Quando a mão suspende e o caído pega com carinho o rosto do irmão. Ás vezes não se sabe pedir desculpa, mas tá na cara, ou na mão.
4º Passo: Deve haver perdão. (Lc. 17:3,4). Até aí não houve perdão. Primeiro vem a cautela, depois a confrontação, em seguida o arrependimento. Mas agora entra essa palavra divina na história na história de dois homens, de um homem e uma mulher a palavra perdão. Perdão que é na minha pobre definição, o oferecimento de uma mente sem memória, o resultado da amnésia do amor.
Perdão é uma mente sem memória, é dar chance para o irmão nascer de novo na minha história, como se ele não tivesse história nenhuma. É deixar ele brotar aqui no coração, é oferecer a ele um porto na minha vida. Perdão é esquecer. Entendam o que eu vou tentar dizer: Perdoar é ser um pouco Deus, na relação horizontal entre homem e homem. Lembram-se de que o padrão desse perdão é divino? Deus não é aquele que esquece os nossos pecados? Hebreus, 10:17 diz: Dos teus pecados eu já não me lembro mais. O amor encobre multidão de pecados. Deus sepulta os nossos pecados no Oceano Pacífico a 11.000 metros de profundidade. No fundo dos mares, não é isso que o profeta diz? Ele afasta as nossas transgressões como o oriente está afastado do ocidente. Deus nos oferece uma mente sem memória.
Isso é perdão. Perdão que daqui a 5 anos repete tudo que foi feito contra nós a 6 anos não é perdão, é ilusão, é tapeação. Perdão só trata do daqui para frente, esquece o ontem, não tem passado, não tem história, é futurista, é otimista, só vê além. Como o padrão do perdão é o padrão divino, então devemos ser capazes de perdoar até as pessoas não arrependidas. Quando há arrependimento existe cura nas relações, mas ainda que o irmão não se arrependa eu tenho que perdoar-lhe, porque o padrão do meu perdão é o padrão do perdão de Cristo. E o que Cristo disse? Pai, perdoa-lhes, porque eles não sabem o que fazem. Perdoa até os não arrependidos, perdoa até aos ignorantes, foi o Ele pediu ao Pai.
Sei o quanto isso é elevado para o nosso padrão humano, por isso que isso é algo que transcende, é algo divino, então, por ser algo além da capacidade do homem caído, é que devemos orar sempre dizendo: Pai, aumenta a minha fé (Lc 17:5). Somente o passo de desejar – temos que desejar viver o perdão - acrescido da fé que brota em nós, quando a buscamos, produzida pelo Espírito de Deus, que poderemos perdoar e assim vivermos parecidos com Deus, à semelhança do nosso criador.
Assim também vós, depois de haverdes feito tudo quando vos foi ordenado, dizei: Somos apenas servos inúteis, pois fizemos apenas o que devíamos fazer (Lc 17:100. Amigo leitor, minha oração é que nesse momento você já tenha se disposto a resolver todas aquelas situações de conflitos interpessoais que o têm atormentado. Talvez você não consiga resolver todos os problemas. Mas não se esqueça: Quando depender de vós, tende paz com todos os homens (Rm 12).
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Com o desejo de ter você como companhia nesta caminhada e obra que o Senhor nos tem confiado, ficamos feliz com o seu comentárioa.
Que o Senhor lhe abençoe!